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Lá fora a vida passa, e eu aqui, a toa..
Faltam poucos dias para o próximo ano. Portanto, uma bela desculpa para deixarmos tudo para o ano que vem. Inclusive, eu pretendia não postar mais nada este ano.
Porém, existe uma força maior que me conduz de volta ao texto. Não, não é a ressaca do vinho do Natal. É uma força maior, chamada tédio. Por mais que não seja remédio escrever, mas pelo menos ajuda a passar o tempo.
Fica uma sensação de tempo não aproveitado. Poderia estar fazendo as mil e uma coisa que gostaria de fazer, mas falta tempo. Engraçado que quando o tempo sobra, como agora, não podemos fazer o que queremos.
É o preço a ser pago pela estabilidade. Para receber salário no fim do mês, sou obrigado a estar numa empresa em horário comercial. Mesmo não tendo o que fazer. Pior que isso, é não poder fazer algo que possa ser construtivo, como leitura, por exemplo. Pois leitura é uma distração, e não trabalho.
Ainda sofremos o preconceito em relação às coisas que nos agradam. Qualquer profissão ligada ao entretenimento é vista como diversão. E parece que o trabalho não pode ser divertido.
Invejo quem pode trabalhar com o que realmente gosta. Pois aí o trabalho é sinônimo de diversão. Mas se isso acontece, talvez eu não vá pro céu. Ou pior, talvez não pague as minhas contas. Bem, ao menos pago minhas contas. E entre uma conta e outra, tento espantar o tédio fazendo a única coisa que me distrai por enquanto. Escrever enquanto todos acreditam que eu trabalho. Bem, cada um acredita no que quer. Eu, por enquanto, ainda tento acreditar que um dia escrever, gravar, tocar serão reconhecidos como trabalho. Então poderia deixar de ser um vagabundo que dá a impressão que trabalha para me tornar um trabalhador que dá a impressão de vagabundear!
Escrito por Thomas às 13h48
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Hoje Vai Passar na TV um Filme Que Já Vi no Cinema
Finalmente alguém me indicou o tema sexo. Quando comecei este blog, sabia que seria inevitável que alguém pedisse para eu tocar nesse assunto.
E por mais que a gente fale, este assunto ainda é tabu. Gera polêmica. Conversas. E quanto mais a gente dialoga, mais o assunto parece se complicar. Isso porque preferimos passar a versão televisiva do assunto, mutilando o filme, cortando uma cena. Tem coisa que nossa moral não nos permite dizer. E quando resolver mostrar o filme, que seja para uma platéia seleta, que paga ingresso, e que ainda se contenta de ver tudo em uma sala escura.
Apesar disso, sexo rende. Vende. E não estou falando do segundo LP do Ultraje a Rigor (que aliás, vendeu muito). Basta ver o quanto o mercado sexual se expande a cada dia. Cada vez mais se produz pornografia. Boa parte da Internet se dedica ao assunto. A parte mais movimentada da locadora de DVDs que freqüento fica atrás da cortina. Porque, afinal de contas, pega mal manifestar seus desejos (e às vezes, preferências) sexuais na frente de todo mundo. Gastamos, mas não admitimos que gastamos com isso. Quer dizer, até admitimos, desde que estejamos com aquele grupo do escurinho do cinema.
Talvez devêssemos falar menos e praticar mais. Sem exageros claro, e com segurança. De preferência com uma pessoa de que você goste. E se possível, sem gastar dinheiro. Talvez neste dia, nossa vida deixe de ter o padrão Globo de qualidade para se tornar um clássico da sétima arte.
Escrito por Thomas às 17h24
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É o que a gente merece...
Bem, pode-se dizer que hoje é um daqueles dias de merda. Bom para ficar em casa e não fazer merda nenhuma.
Talvez eu nem devesse fazer este texto... pois provavelmente será um texto de... você já sabe a palavra que inspira o assunto desta crônica.
Todos nós temos dias assim, em que nada parece valer a pena. Nada acontece, e simples virar de um ponteiro é um fenômeno de grandes proporções, principalmente aquele movimento de ponteiro saindo das 17h29 e declarando a hora da liberdade: 17h30 - leitores, sintam-se à vontade para colocar aqui o fim de expediente de vocês.
Enquanto isso, fico aqui fritando meus neurônios, pensando no que fazer para sair dessa situação. Como fazer para sair da merda? Bolar novos planos mirabolantes? Decidir ser uma nova pessoa? Buscar um novo emprego? Matar o chato que só sabe cobrar? Inventar um novo hobby? É, quem sabe numa dessas eu consiga alcançar o que tanto busco, mesmo sem saber o que é.
Talvez a solução seja mais simples, tão fácil quanto dar a descarga e mandar tudo embora.
Ou então parar com esse tipo de discurso. E tentar ler um livro. Por exemplo, "Sobre Falar Merda", de Harry G. Frankfurt. Os restos do processo digestivo inspiram até livros de filosofia. Ou deva ouvir uma canção. Do Língua de Trapo, como aquela singela canção-discurso de aparência radiofônica.. que se chama, adivinhem...
Parece-me ser um caminho a seguir. Usar a merda para fazer algo produtivo. Ou não...
Escrito por Thomas às 15h45
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Acordo com aquele gosto agridoce na boca... te procuro pela cama.
Sinto falta do teu beijo, do jeito de me chamar... gostoso.
Levanto e sigo adiante, por absoluta falta de opção.
Para fugir da depressão, deixo a pele queimar sob o sol.. gostoso.
Espero as horas passarem, amaldiçoando o relógio..
Chega a hora do almoço, que deve ser... gostoso.
Infelizmente o refeitório me trai, como meus pensamentos,
que voam pro seu lado, onde é mais... gostoso.
Volto para casa, espero o momento de falar contigo.
Ouvir tuas palavras, pronunciadas desse jeito.. gostoso.
O cansaço bate, e resolvo ir deitar, para poder sonhar,
que em seus braços durmo.. gostoso.
Um dia poderei realizar o sonho,
E assim fazer o dia voltar a nascer... gostoso.
Escrito por Thomas às 14h53
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Senhoras e senhores...
......começa agora o maior espetáculo da terra... É exatamente o que desejo gritar agora, aqui do centro do picadeiro onde me encontro. Que bom é esse clima circense, esse movimento todo, sons, luzes, sentir esse calor... quer lugar melhor que o picadeiro para ver o circo pegando fogo?
Pois, talvez num surto de insanidade, resolvi atear fogo nesse circo que parece ter se tornado minha vida. Quero ver a platéia correndo, salve-se quem puder.
No lugar dos aplauso, gritos de socorro.
Grita o executivo, ao ver sua gravata Louis Vitton se incendiar. Justo ele que não queria vir. Preferiria estar no friozinho do seu escritório, gélido não pelo ar condicionado, mas pela frieza das relações pessoais/profissionais. Poderia estar ganhando mais milhões para seu maravilhoso chefe, aquele que acredita que uma conspiração está acontecendo quando você pede 30 dias de férias. Queria tanto estar cuidando de sua falta de saúde, desenvolvendo suas doenças coronárias, sinais de progresso, como Maluf e sua poluição. Mas não, ele teve que ouvir sua esposa: "-Faz tanto tempo que não saímos, que não agimos como família.. o Júnior está louco para ver o circo, vamos lá..." Como o celular não tocou por longos dois minutos neste ínterim, acabou cedendo a pressão. E agora gasta a sola dos seus sapatos Prada para não se carbonizar. Talvez fosse mais rápido se o Fagundes, seu puxa-saco oficial, largasse do pé dele.
Para o outro lado, correu a moça, com lágrimas nos olhos, totalmente apavorada. Havia ido ao circo, com o coração partido, buscando alguma diversão para aliviar a dor deixada por um rompimento de relacionamento. Buscava o riso infante, dos tempos de brincar de Barbie... ah, como o namoro era fácil naqueles tempos. Bastava tirar o namorado perfeito, vestido elegantemente em seu smoking, da caixa de papelão e ele estava lá, um príncipe encantado instantâneo! Porém, como todos, ela cresceu, e seus brinquedos foram se tornando mais perigosos. E inevitavelmente ela se machucou, e então quis machucar outros também. Passou a ter medo de amar, de se entregar, e descobriu o prazer da ferida alheia. Mas a dor que ela propagou, voltou para ela mesma. Uma dor que só não é maior que a temperatura das chamas que a consomem agora.
Entre outros, esperneia o intelectual, que resolveu vir ao circo apenas por ser 'cool' prestigiar a cultura popular, como o circo. Com seus óculos de aro grosso, sua camisa velha e barba, passaria fácil por qualquer um dos Los Hermanos. O corpo magro mostra que prefere horas de literatura a minutos de atividades esportivas. Para ele, o mundo mágico dos livros é bem mais tragável que essa realidade, dura, que o impede de ser o que ele quer, que não permite ser ele mesmo. Realidade que o faz correr do incêndio para dentro de uma jaula, onde um leão faminto aguarda sua última cheia, ainda que tenha mais ossos que carne.
Chega um ponto onde este mestre de cerimônia que vos escreve, já não consegue mais distinguir personagens dentro desse caos.. correm famílias tradicionais, que esperam que seus filhos tenham diploma de doutor e se casem com secretarias trilingues. Fogem casais de amantes, arrependidos de trocarem a segurança de seus namorados e esposos pela aventura de um circo. E lentamente queimam-se pessoas, animais, trapézios, cadeiras e lona.
Até restar apenas um picadeiro, de onde vejo uma porção de cinzas. Uma porção de cinzas, de onde espero, que nasça, mitologicamente, uma fênix, que virá a ser a nova atração deste circo, que então poderá tornar-se novamente o maior espetáculo da terra.
Escrito por thmiss às 08h50
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